Como organizar uma pesquisa de folclore

l Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo MeiraMuito se tem falado da importância do folclore no sistema educacional e o grande Mário de Andrade já dizia: “ Nada melhor do que as tradições para retemperar a saúde de nossa alma brasileira”.Só é possível amar o que se conhece e é através do folclore, que conseguimos conduzir crianças e jovens a entender e preservar os elementos culturais da nossa terra e do nosso povo.Mantendo os traços fundamentais da continuidade tradicional das nações, o folclore se torna elemento importante na fixação do homem à terra.Alguns programas voltados apenas para o desenvolvimento intelectual, muitas vezes acham-se tão distantes das vivências e experiências imediatas do estudante, que tendem a gerar uma apatia ou sentimentos de que, o que se ensina na escola não tem sentido ou aplicação. É necessário direcioná-los, através de pesquisas, para o sentir, pensar, agir e reagir da comunidade.Não existem fórmulas mágicas ou sistemas exatos para a pesquisa folclórica, o importante, é ter como ponto de partida, a vivência dos alunos e fatos do dia a dia recolhidos no seu próprio ambiente. A escolha do tema, pode ser sugerida pelo professor, como também pelo aluno, a partir dos fatos comuns do lar, da escola, da vizinhança: linguagem popular, casos contados, medicina popular, brinquedos, competições, comidas e bebidas, arte e artesanato, caça, pesca, agricultura e festas cíclicas.Além dessas manifestações, uma infinidade de outras poderão ser propostas, se forem comuns na região. Quem mesmo na intimidade nunca usou uma gíria? Será que alguém nunca assistiu uma coroação no mês de maio? Nunca viu um presépio? As crianças não brincam e jogam? Será que alguém da sua casa, ou mesmo você, nunca fez da feira alegre e colorida um consultório? Qual a cidade que não tem a sua farmácia popular com algum conhecido raizeiro numa banca de mercado? Estas e outras interrogações, sempre terão respostas afirmativas tanto no lar quanto nas imediações, pois todas as pessoas em maior ou menor escala, são portadoras do folclore.Depois da escolha do tema é importante que o aluno seja orientado sobre as normas de conduta ao conversar com os informantes, para criar m clima de simpatia e conquistar a confiança do entrevistado; não fazendo perguntas que induzem respostas, devendo cuidar do vocabulário, usando sempre linguagem acessível.O pesquisador deve posicionar-se como aprendiz, deixando o informante falar até que se esgote o assunto, não interferindo no meio de uma resposta. A observação deve ser feita sempre com muita atenção e discrição, muita fidelidade e honestidade ao fazer o registro.É importante ressaltar que o essencial não é apenas ensinar folclore; mas utilizá-lo como fator didático, numa ou noutra disciplina; onde houver oportunidade para favorecer a compreensão, a memória e a fantasia; ou oferecer centro de interesse ou de relação referente ao que se está ensinando.Concluindo, já que um dos grandes problemas do Brasil é o êxodo rural e a hipertrofia das cidades, a importância do folclore na educação é indiscutível, pois através do ensino funcional das artes, o indivíduo se sente mais ligado à sua terra.Por que não transformar a nossa gente em artesãos e artistas especializados, por meio de uma orientação firme e segura? Supertições, lendas e mitos, auxiliam a manifestação do mundo interior dos alunos, os cantos locais e ritmos, elementos nacionalizantes por excelência, devem ser estimulados ao máximo, porque o sentimento de brasilidade, o conhecimento e o amor por essas raízes da terra, se não nascem no lar, precisam nascer na escola.( Trabalho publicado no Suplemento “Cultura” do “ Minas Gerais” – agosto de 1985)

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Sobre raquelcrusoe

Natural de Montes Claros-Minas Gerais - Brasil - Mestre em Ciências da Educação em Música (Havana - Cuba)- Pós-Graduação em Educação Artística (São Paulo) - Licenciatura em Artes - Bacharelado em Música – Piano( Rio de Janeiro)- Vice Diretora e Coordenadora Cultural do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez - Diretora do Projeto Acêrvo Cultural de Montes Claros - Professora de Piano,Regência, Percepção Musical,História da Música e Folclore do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez - Professora Titular da UNIMONTES - Fundadora do Curso de Educação Artística/FUNM - Vice – Diretora do Curso de Educação Artística/FUNM - Diretora em Exercício da Faculdade de Educação Artística/FUNM - Membro do Conselho Diretor da FUNM - Fundadora e Primeira Coordenadora de Cultura da UNIMONTES - Coordenadora de Cursos de Pós – Graduação em Arte – Educação/UNIMONTES - Diretora do Projeto MUSICAMPUS - UNIMONTES - Membro do Conselho Universitário da UNIMONTES – CONSU - Chefe do Departamento de Artes - UNIMONTES
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