BOSSA NOVA – REVOLUÇÃO MUSICAL NA MPB

 
| Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
 
Durante o ano de 2009 registramos muitas e muitas comemorações dos 50 anos da BOSSA NOVA. Com temáticas relacionadas à paisagem cartão-postal do Rio de Janeiro, o movimento e depois gênero musical que revolucionou a Música Popular Brasileira, foi introduzido com uma nova batida ao violão e uma maneira intimista de cantar por jovens da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Tendo como precursor o compositor Johnny Alf, a bossa nova foi uma inovação na Música Popular Brasileira.As características rítmicas e melódicas da música Rapaz de bem (1953), introduziu uma maneira de conjugar samba e jazz que influenciou diretamente o compositor baiano João Gilberto, juntamente com Tom Jobim, Sérgio Mendes e o Tamba Trio.
Na música Presidente Bossa Nova, composta por Juca Chaves nos anos 60 para fazer uma sátira ao governo “moderno” de Juscelino Kubitschek, a letra da canção exemplifica bem o sentido mais genérico do termo “bossa nova”.Refere-se a novidade, modernidade, invenção recente, jeito diferente de fazer ou usar alguma coisa. A palavra ‘bossa’ era uma gíria carioca que significava ‘jeito’, ‘maneira’, ‘modo’. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha ‘bossa’.
Presidente Bossa Nova
 
Juca Chaves
 
Bossa nova mesmo é ser presidente
Desta terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original.
Depois desfrutar da maravilha
De ser o presidente do Brasil,
Voar da Velhacap pra Brasília,
Ver a alvorada e voar de volta ao Rio.
Voar, voar, voar, voar,
Voar, voar pra bem distante, a
Té Versalhes onde duas mineirinhas valsinhas
Dançam como debutante, interessante!
Mandar parente a jato pro dentista,
Almoçar com tenista campeão,
Também poder ser um bom artista exclusivista
Tomando com Dilermando umas aulinhas de violão.
Isto é viver como se aprova,
É ser um presidente bossa nova.
Bossa nova, muito nova,
Nova mesmo, ultra nova!
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Oficialmente a bossa nova foi lançada com o 78 rotações do selo Odeon do cantor João Gilberto com as músicas Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor).
Com a ida de músicos e compositores brasileiros para os Estados Unidos, foi organizado o Festival de Bossa Nova no teatro Carnegie Hall, em Nova York (1962). Foi um sucesso absoluto e a partir de então, a bossa nova passou a ser gravada por músicos de jazz e por nomes fortes do cenário internacional, como Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespiem e Nat King Cole. Começou assim a divulgação progressiva da música popular brasileira.
O conjunto de Sérgio Mendes, Brasil 66, também foi muito importante nesta divulgação, não apenas nos EUA, como também em festivais internacionais de música popular na Europa em 1969.
Hoje conhecida no mundo inteiro, a Bossa Nova foi gravada por Frank Sinatra em um disco de músicas brasileiras, com a participação de Antônio Carlos Jobim.
Características da Bossa-Nova
A melodia tipicamente mais sofisticadas do que nas canções antigas, são fortemente não-diatônicas. Outras tem melodias simples, porém usando uma grande complexidade rítmica. As letras das músicas procuram uma linguagem mais próxima do coloquial, um lirismo mais intimista. A concepção do canto na Bossa Nova é coll sem procura de efeitos ou arroubos melodramáticos, sem demonstrações de virtuosismo, sem malabarismos. Juntamente, o compositor Antônio Carlos Jobim e o poeta Vinícius de Moraes foram os nomes dos que co-iniciaram o movimento. Este último garantiu a valorização literária das músicas, com novos temas e formas.
Desse grupo constam: Carlos Lira, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Oscar Castro Neves e seus irmãos Ico, Leo e Mario, Luiz Eça, Alayde Costa, Loverci Fiorini e Nara Leão.
 
 
Intimismo
Forma de cantar quase falada, intimista, também chamada “música de apartamento”. O canto melodramático, quase operístico com as vozes impostadas, dá lugar ao canto comedido quase sussurrado, onde o cantor está mais preocupado em dar uma mensagem estética do que uma mensagem sentimental.
Rítmo
O ritmo de samba foi inovado pelo violonista, cantor e compositor, João Gilberto. Suave, discreto, com divisão rítmica diferente da do samba tradicional.
Síncopes e contratempos marcam presença. A acentuação tônica da letra não coincide com o tempo forte do compasso, resultando assim o famoso “balanço da bossa”.
Harmonia
Com a bossa-nova as técnicas de harmonização no Brasil incorporaram novos elementos até então pouco explorados na música popular. A classificação tradicional dos acordes como consonantes ou dissonantes dá lugar aos conceitos de maior e menor tensão harmônico-tonal. Na realidade, os acordes consonantes passam a ser, quase sempre evitados e são substituídos por seus equivalentes mais “tensos”. Os acordes passam a desempenhar dupla função: harmônica (dão a orientação e a sustentação harmônica) e percussiva, sublinhando as batidas rítmicas.
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Em uma época que na música popular predominavam boleros e sambas canções, a bossa nova chegou com uma renovação harmônica, melódica e rítmica.
Apesar da Bossa Nova usar recursos do jazz (principalmente do be-bop), estes são apenas adaptados a ela. O que existe é uma apropriação, uma recriação, uma reciclagem, um diálogo que se tornou bi-direcional, de tal forma que hoje em dia a Bossa Nova influencia não só o próprio jazz mas também a música pop e latina em geral.
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Sobre raquelcrusoe

Natural de Montes Claros-Minas Gerais - Brasil - Mestre em Ciências da Educação em Música (Havana - Cuba)- Pós-Graduação em Educação Artística (São Paulo) - Licenciatura em Artes - Bacharelado em Música – Piano( Rio de Janeiro)- Vice Diretora e Coordenadora Cultural do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez - Diretora do Projeto Acêrvo Cultural de Montes Claros - Professora de Piano,Regência, Percepção Musical,História da Música e Folclore do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez - Professora Titular da UNIMONTES - Fundadora do Curso de Educação Artística/FUNM - Vice – Diretora do Curso de Educação Artística/FUNM - Diretora em Exercício da Faculdade de Educação Artística/FUNM - Membro do Conselho Diretor da FUNM - Fundadora e Primeira Coordenadora de Cultura da UNIMONTES - Coordenadora de Cursos de Pós – Graduação em Arte – Educação/UNIMONTES - Diretora do Projeto MUSICAMPUS - UNIMONTES - Membro do Conselho Universitário da UNIMONTES – CONSU - Chefe do Departamento de Artes - UNIMONTES
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